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Parque Urbano da Quinta da Granja
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Sobre o ponto de interesse
Integrada no Corredor Verde Periférico de Lisboa, a Quinta localiza-se na freguesia de Benfica, entre as Avenidas do Uruguai e dos Lusíadas, no topo de uma pequena elevação com ampla relação visual com a envolvente urbana.
O parque constitui um espaço verde de lazer e fruição pública, caracterizado por um ambiente tranquilo, bem cuidado e propício à permanência e à circulação pedonal. Dispõe de passadeiras para caminhadas, ciclovia, zonas de estadia, bem como um pequeno quiosque com esplanada.
No seu interior encontram-se dois núcleos edificados de grande relevância patrimonial: a Casa da Quinta de Baixo e a Casa Grande da Quinta de Cima. A Casa da Quinta de Baixo encontra-se atualmente totalmente reabilitada e acolhe um espaço de formação, treino de competências sociais e programas de emprego temporário dirigidos a pessoas com Síndrome de Asperger.
A Casa Grande da Quinta de Cima, de carácter marcadamente rural, preserva um importante conjunto patrimonial associado à antiga exploração agrícola, integrando o lagar, coleções de utensílios e maquinaria agrícola, bem como uma coleção de cangas. Complementarmente, foi criado um parque hortícola, constituído por hortas urbanas organizadas numa unidade homogénea e delimitada.
Com uma área aproximada de 11 hectares, o parque afirma-se como um espaço de contacto com a natureza no contexto urbano, conciliando valores ambientais, sociais e patrimoniais.
Enquadramento Histórico
Nos finais do século XVII, a Quinta era propriedade de D. Inácia da Cunha, que a legou à sua sobrinha, D. Susana Barbosa de Lima. Esta viria a vender a propriedade a João Coelho de Melo, testamenteiro de sua tia.
Em 1703, João Coelho de Melo mandou edificar a casa principal no cimo de uma pequena elevação, promovendo igualmente a plantação de um amplo jardim envolvente. O edifício apresentava dois pisos, com as divisões organizadas em torno de um vasto pátio interior, seguindo uma tipologia de inspiração mediterrânica.
Em 1795, a Quinta passou para D. João Pedro da Câmara, transitando em 1812 para D. Luís da Câmara. Em 1884, D. Duarte Manuel de Noronha adquiriu a propriedade, sendo referido como o seu último proprietário privado.
Ao longo do tempo, a Quinta manteve a sua vocação agrícola e residencial, conservando elementos estruturantes do modo de vida tradicional associado às quintas de recreio e produção, hoje valorizados através da reabilitação do edificado e da adaptação a novos usos de carácter social, cultural e ambiental.