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Sobre o ponto de interesse
A Tapada das Necessidades é um espaço verde murado, de carácter predominantemente florestal, quase totalmente coberto por mata e sujeito a Regime Florestal. Constitui um dos mais singulares jardins históricos de Lisboa, destacando-se pela densidade arbórea, pela diversidade botânica e pela forte presença de elementos construídos integrados na paisagem.
No interior da Tapada encontram-se vários elementos de interesse paisagístico e decorativo, nomeadamente três lagos — o Lago da Palmeira, o Lago das Estrelícias e o Lago do Duque de Lafões —, rodeados por vegetação exótica. Destacam-se ainda uma cascata, um chafariz, tanques de água e diversos conjuntos escultóricos, entre os quais sobressai a denominada Estatuária das Virtudes.
O arvoredo da Tapada das Necessidades encontra-se integralmente classificado como de interesse público, integrando exemplares notáveis pela sua monumentalidade, raridade e valor botânico, reforçando a relevância ambiental e patrimonial do conjunto.
Com uma área aproximada de 10 hectares, a Tapada oferece um ambiente de fruição paisagística e contacto com a natureza, num espaço de grande tranquilidade e riqueza histórica, em pleno contexto urbano.
Enquadramento Histórico
Em 1742, no reinado de D. João V, foram mandadas construir a ermida maior, um convento e um palácio para residência real, resultantes da aquisição de terras agrícolas circundantes, dando origem ao conjunto da Tapada das Necessidades.
Em 1843, por iniciativa de D. Fernando II, o jardim foi redesenhado, procedendo-se à transformação da antiga zona de hortas num jardim de inspiração inglesa, trabalho conduzido pelo jardineiro Bonard, introduzindo novos princípios paisagísticos e espécies ornamentais.
Entre 1855 e 1861, durante o reinado de D. Pedro V, foi construída a estufa circular, elemento marcante do conjunto. Posteriormente, por ordem de D. Carlos I, foram edificados um campo de ténis e o Pavilhão, conhecido como Casa do Regalo, utilizado como ateliê de pintura da rainha D. Amélia.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a Tapada consolidou-se como um espaço de lazer, experimentação botânica e representação régia, preservando até hoje uma combinação notável de património natural, arquitetónico e artístico.